O Recife povoa
meu pensamento com suas pontes, rios e casarões. De tanto nele pensar, comecei
a lembrar dos que desistiram daqui e, para minha surpresa, não foram poucos.
Muitos amigos saíram do Recife como quem sai de uma prisão. Vejo-os visitar a
cidade com um certo alívio, como se me dissessem com o olhar: Isso não me
pertence mais. Um amigo, médico do Sírio Libanês, arcovedense aclimatado no
Recife por algum tempo, quando está por aqui de visita, percebo uma certa
pressa, como se tudo devesse acontecer rápido para se livrar e cair de volta na Paulicéia.
Outro dia, faz
mais ou menos um ano, depois de certo tempo vivendo no Recife sem receber
ninguém, fizemos um passeio com amigos distintos vindos de Belo Horizonte e São
Paulo. Andando ali pela rua Nova, passando pela praça Joaquim Nabuco, tive
veleidades de dizer que não tínhamos passado por guerra nenhuma. Os sobrados
arruinados chamavam atenção, os prédios pichados, o lixo impregnado, a sujeira
constante, tornava mais evidente a destruição nossa de cada dia, talvez porque
o olhar do visitante dava mais amplidão ao caos.