24 outubro, 2020

Ela, a informação

Catende, a cara província. Era mais um dia de domingo e lá ia eu andando, por volta das seis da manhã, em demanda da missa matinal. Era uma missa mais tranquila, menos barulhenta, mais introspectiva do que aquelas do horário do fim da tarde. Havia alguma ligação entre a paz da manhã e a tranquilidade da liturgia. Ao lado, no jardim do templo, era até possível ouvir aqui e ali o silvo adocicado de um pássaro.  
Minha mãe estava sempre lá, no coral de Santa Ana. De quando em vez subia ao altar e lia a epístola. 
Eu acompanhava tudo de longe. Nada na algibeira, nem mesmo um terço eu carregava. Ao fim da missa, nós descíamos a ladeira e ao dobrar a rua à direita chegávamos em casa. Era ainda cedo e a cidade dormia. 

No terraço da casa, jogado ao canto, envolto em uma bolsa plástica, jazia o Diário de Pernambuco. Calmo, taciturno e antigo. Parecia não representar perigo algum. Estava no canto dele e só era perturbado se nós o provocássemos. 

14 outubro, 2020

O Largo da Sé: da capela colonial à catedral eclética

                             
                                                                                   

Igreja da Sé e seu estilo eclético
                  O primeiro sítio da igreja matriz de S. Paulo situava-se mais abaixo que o atual, onde hoje fica o monumento a Anchieta. A primeira matriz começou a ser erguida em 1589, tendo sido concluída em 1616. Era uma modesta capela em estilo colonial.

                 Com a criação da diocese em 1745, o primeiro templo foi demolido e substituído por um novo em estilo barroco, terminado em 1769. Seria demolido em 1911. A seu lado ficava a igreja de S. Pedro, também demolida, no lugar onde hoje está o prédio da Caixa Econômica Federal.

                  O templo atual começou a ser erguido em 1913, tendo sido inaugurado em 1954, por ocasião do quarto centenário da cidade. Todavia, as torres somente foram finalizadas em 1969. O projeto, de caráter eclético, é do arquiteto alemão Maximilian Emil Hehl, também responsável pela igreja da Consolação e pela catedral de Santos.

08 setembro, 2020

MÁSCARAS

 Por Paulo Eduardo Razuk

 

                                                                


Máscara é a peça com que se cobre parcial ou totalmente o rosto para ocultar a própria identidade. No teatro é a peça com que os atores cobrem o rosto para caracterizar o personagem que representam. Duas máscaras são os símbolos da tragédia e da comédia do antigo teatro grego. Na área médica, é a peça utilizada por profissionais, para cobrir a boca e o nariz em salas de cirurgia (1).

            
 Na antiguidade, o uso das máscaras se dava nas festas que celebravam Dionísio, deus do vinho. De artefato ritualístico, as máscaras passaram  a representar personagens de ambos os sexos no teatro grego, tanto na comédia quanto na tragédia. Como as mulheres não eram consideradas cidadãs, os personagens masculinos ou femininos eram sempre representados por homens (2).

No século XVIII, no carnaval de Veneza, festa profana, as máscaras e fantasias eram utilizadas pela nobreza como disfarce para misturar-se ao povo, de modo anônimo (3).

No cinema, máscaras eram usadas por malfeitores, para encobrir as suas identidades, em diversos gêneros, como western ou policial.  Atualmente, na vida real, os bandidos comuns assaltam as suas vítimas de cara limpa,  já não se preocupando em ocultar as suas identidades.

Nas manifestações de rua, entre os participantes, têm se infiltrado os black blocks, mascarados vestidos de preto, para promover depredações do patrimônio público ou privado, em ações de caráter anarquista, escondendo as suas identidades.

No entanto, a pior máscara é a invisível, que mostra um semblante que não corresponde ao verdadeiro caráter da pessoa. É a utilizada pelos fariseus, para afetar  uma virtude que não possuem. É a impostura, o fingimento e a falsa devoção. Exemplo perfeito de fariseu moral é o Conselheiro Acácio, personagem de O Primo Basílio de Eça de Queiroz. O mais horrível é aquele que traz no coração o ideal de Sodoma e presta devoção à Madona (4).

                                                          

23 agosto, 2020

A Casa Real de Espanha

 

  

                                                                                                     Paulo Eduardo Razuk

  

                                                                     O domínio da Casa de Habsburgo  na Espanha iniciou-se com Carlos I, que era neto do Imperador Maximiliano da Alemanha e dos reis católicos Fernando de Aragão e Isabel de  Castela. Ao abdicar do trono, em 1556, deixou a Espanha para seu filho Felipe II e a Áustria para seu irmão Fernando, vindo a falecer em um convento em 1558.

                                                                     A Casa de Habsburgo, que os espanhóis chamam de os Áustrias, reinou na Espanha até 1700, ano em que morreu  Carlos II, que não deixou herdeiros. A sucessão da coroa espanhola causou uma guerra européia. De um lado, o arquiduque Carlos de Áustria; de outro, o príncipe Felipe de Anjou, neto de Luís XIV, rei de França. Com a paz de Utrecht, em 1713, Felipe de Anjou foi reconhecido como rei de Espanha, assumindo o nome de Felipe V, a inaugurar o domínio da Casa de Bourbon, que, com interrupções, perdura até hoje na Espanha.

                                                                    Desde 1713, vigia na Espanha a lei sálica, que não admite a sucessão da coroa pela linha feminina. Em 1800, sem obedecer ao devido processo legislativo para tanto, Fernando VII alterou unilateralmente a lei, o que não foi acatado pelos tradicionalistas. Faleceu em 1833, deixando apenas uma filha menor, que assumiu o trono como Isabel II,  não reconhecida como rainha pelos legitimistas, que apoiavam Carlos, irmão do rei. Houve três guerras carlistas pela sucessão da coroa espanhola, em 1833/1840, 1846/1849 e 1872/1876.

20 julho, 2020

O CAMPO DE SANTANA: DAS LAVADEIRAS À REPÚBLICA


                                                                                     Por Paulo Eduardo Razuk

                                                                    
                  No século XVII, no Rio de Janeiro, o Campo das Lavadeiras devia seu nome às muitas bicas d’água que lá havia e por elas eram utilizadas.
                                                                    
O Campo e a Igreja de Santana, em 1817. Gravura de Thomas Enders. Academia de Belas Artes de Viena, domínio público
              Em 1735, os membros da Irmandade de Santana ali ergueram a sua capela, passando o Campo a chamar-se de Santana. Essa capela foi demolida para a construção da primeira estação inicial da Estrada de Ferro Pedro II, hoje Central do Brasil. Em 1870, a igreja foi reconstruída na Rua das Flores, depois de Santana, onde permanece,  próxima do Campo.
                                                                    
              Em 1811, sob D. João VI, o Campo foi escolhido pelo Conde de Linhares,  Ministro da Guerra, para o exercício da tropa, lá tendo sido erguido o Quartel General do Exército, depois demolido para dar lugar ao Palácio da Guerra, hoje Comando Militar do Leste.
                                                                    
              Ainda sob D. João VI, o Campo veio a ser dotado de um jardim, tendo sido a forma atual dada em 1873 pelo paisagista francês Auguste François Marie Glaziou, também responsável pelo Passeio Público e pelo parque da Quinta da Boa Vista, durante o gabinete do Visconde do Rio Branco.
                                                                    
                Em 12 de outubro de 1822, de um palacete de madeira lá erguido, D. Pedro I foi aclamado pelo povo como Imperador do Brasil, tendo sido o Campo rebatizado como da Aclamação.

                Em 7 de abril de 1831, em face da abdicação de D. Pedro I,  o nome do lugar chegou a ser alterado para Campo de Honra, que não vingou, continuando a ser da Aclamação até a República, embora o povo teime a chamá-lo de Santana.

02 julho, 2020

A QUEDA DA BASTILHA

                                             Paulo Eduardo Razuk

I

Em 14 de julho de 1789, houve a queda da Bastilha, data que se tornou feriado nacional da República Francesa, a partir da Revolução. O que de fato houve? O que se comemora?

Na idade média, a Paris antiga era cercada por uma muralha, em que havia vários portões de acesso à cidade. A Bastilha era uma fortaleza, junto ao portão de Santo Antônio, construída durante a Guerra dos Cem Anos, entre 1370 e 1383, por Carlos V de França. Funcionou como prisão a partir do reinado de Luís XIII, do século XVII ao XVIII.

A Bastilha servira como terrível prisão ao tempo de Luís XIV, no século XVII. Por lá haviam passado o misterioso Máscara de Ferro, o turbulento Bassonpierre, Voltaire, Mirabeau e o degenerado Marquês de Sade, entre outros. No século XVIII, no reinado de Luís XVI, era um depósito de armas e munições do exército francês, mais que prisão. Desde 1784, as famosas lettres de cachet du roi haviam sido abolidas.

25 junho, 2020

PE. CLAUDE BARTHE A VIGANÒ: “VOSSO EXEMPLO NOS AJUDA.”


Um evento histórico: a crítica do Vaticano II por Monsenhor Viganò

Carta-aberta do Padre Claude Barthe [1]

Tomo a liberdade de reagir à declaração de Vossa Excelência, “Sobre o Vaticano II e suas conseqüências” (Chiesa e post concilio, 9 de junho de 2020), para sublinhar, modestamente, a importância desta declaração para a Igreja.

Que me seja permitido resumi-la em cinco pontos:

1 – O Vaticano II contem textos “em oposição direta à doutrina até então expressa no Magistério”

Vosso ataque ao Vaticano II visa:
  • Aquilo o que está em desacordo direto com a doutrina anterior, como a liberdade religiosa da declaração Dignitatis humanæ e os fundamentos, presente nas declaração Nostra ætate sobre as novas relações com as religiões não-cristãs; ao que poderíamos ainda acrescentar o decreto sobre o ecumenismo, Unitatis redintegratio, que introduziu a inovação da “comunhão imperfeita” que teriam aqueles que estão separados do Cristo e da Igreja;
  • Além de ambigüidades que podem ser utilizadas no sentido tanto da verdade quando do erro, como o subsistit in do n. 8 da Constituição Lumen gentium: “A Igreja de Cristo subsiste na Igreja Católica”, em lugar de: “A Igreja de Cristo é a Igreja Católica”.

21 junho, 2020

O Reflexo da Ordem Celestial em As Meninas de Diego Velasquez


                                                                                              
         Já nos referimos à hierarquia angelical de Santo Tomás de Aquino. A Corte Celestial é composta de nove círculos angélicos, agrupados em três coros, cada qual com suas três hierarquias.  Segundo a importância de cada classe, referida na proximidade de Deus, o primeiro coro é formado por serafins, querubins e tronos. O segundo por dominações, virtudes e potestades. O terceiro por principados, arcanjos e anjos. O estabelecimento das hierarquias é necessário à ordem, senão haveria a multidão de anjos desgovernada.

Diego Velázques
             Conforme Orlando Fedeli, a ordem sábia e proporcionada com que os anjos se hierarquizam é o elemento unificador de tantas desigualdades proporcionadas. Em toda a natureza se encontra a harmonia de elementos diversificados na unidade.

19 maio, 2020

O Museu Nacional e a Quinta da Boa Vista



 
        O Museu Real, desde o tempo do Vice-Rei  D. Luís de Vasconcelos, funcionava na inacabada Casa dos Pássaros da Rua da Lampadosa. Em 1824, já Museu Imperial,  mudou-se para o casarão do Barão de Ubá, no Campo de Santana, depois Campo da Aclamação de D. Pedro I e por fim Praça da República, embora o povo continue a chamar o lugar por seu nome original. Em 1854, sob D. Pedro II, ganhou nova sede, no mesmo quarteirão, esquina da Rua da Constituição.  Tal sede abriga desde 9 de março de  2018, depois de fechada por trinta anos,  o Museu da Casa da Moeda do Brasil. Em 1892, já rebatizado como Museu Nacional, foi transferido para a Quinta da Boa Vista, vindo a ocupar o Paço de São Cristovão, afinal destruído pelo fogo em 2 de setembro de 2018, em que a maior parte do seu acervo de coleções de história natural se perdeu para sempre.

          Na Quinta da Boa Vista, situava-se o casarão erguido sobre uma elevação, que se estendia das margens do Rio Maracanã à Praia do Caju. Pertencia a Elias Antonio Lopes, nome aportuguesado do comerciante libanês Elie Antoun Lubbus, que chegara ao Brasil em 1790, vindo do Porto.  Enriquecera no tráfico de escravos, sendo chamado pelo povo de  Elias o Turco, por fazer o Líbano então parte do Império Otomano. Em 1808, com a chegada da família real ao Brasil, cedeu o casarão ao Príncipe Regente, antes que fosse confiscado. Reformado, passou a ser conhecido como o Paço de São Cristóvão, a principal residência da família real, depois imperial, até que fosse exilada pela República.

16 maio, 2020

MONSENHOR LEFEBVRE



OBS.: Esse texto chegou ao nosso conhecimento através de um antigo jornal que circulou em Madrid, chamado ABC, e que foi fundado em 1905. Dele não temos conhecimento e não nos interessou aprofundar. Por seu turno, o artigo foi escrito por Leopoldo Palacios, professor de direito, envolvido com conservadores da ação católica. O blog não se alinha a católicos conservadores, que por si, tem mentalidade liberal. No entanto, o artigo é interessante porque lança luz na importante figura de D. Lefebvre.



A posição que sustenta Marcel Lefebvre poderia ser qualificada de catolicismo puro, em contraposição a outro catolicismo que aceita ingredientes estranhos e que já não é puro, mas mesclado de liberalismo: o chamado catolicismo liberal. Para o conceito de catolicismo puro me remeto ao livro clássico de Karl Adam: “A essência do catolicismo”. Para o conceito de catolicismo liberal recordo a “História do catolicismo liberal”, de Emmanuel Barbier, em cinco volumes. O que se entende por catolicismo liberal é um movimento que aspira conciliar a Igreja e a Revolução (com maiúscula), harmonização que ocorreria a cargo dos que vivem dentro da cidadela eclesiástica. Nem todos tem visto este movimento com simpatia. Seus homens pretendiam dar uma visão favorável aos princípios revolucionários opostos ao catolicismo, e trabalharam dentro da Igreja aspirando planos de poder, ganhar adeptos entre o clero, captar a boa vontade do episcopado e eleger um papa ao seu gosto, que, convocado um concílio, impusera a todos os fiéis, mercê ao firme aparato de disciplina da Igreja, a nova concepção religiosa, coroando com a cruz de Cristo o gorro frígio da Revolução.

Terminado o Concílio, o seguimento das ideias triunfadoras desconcertou a vida da Igreja de Cristo. Eram ideias diferentes das que haviam imperado até então, sobretudo no mais característico da nova concepção: sua maneira de ver o mundo e a modernidade. Desde a Revolução francesa, os grandes pontífices – Pio VI, Gregório XVI, Pio IX, Leão XIII, São Pio X, Pio XII – haviam ensinado sobre o mundo moderno o contrário do que se ensina agora. Mas não por isso variava o tom de autoridade desses ensinamentos, nem se evitava perturbar sacerdotes e fiéis, como se viu na imposição despótica das reformas litúrgicas. Não causa surpresa que o descontentamento se espalhou por todo lugar e que surgiram movimentos de resistência católica. Um deles – não o único – é o representado pelo bispo Lefebvre, fundador do Seminário Internacional de Ecône (Suíça) e da Fraternidade Sacerdotal São Pio X.

Há pessoas que só podem viver apoiadas moralmente por um chefe espiritual: se elas são católicas, este chefe é o Papa. Todavia, cabe a possibilidade, já estudada por teólogos, de que este chefe perca a confiança de seus fiéis, por não os defender dos inimigos da Igreja ou por favorecer dentro dela um partido unilateral. Que então fará o católico alheio a dito partido? Ele não tem outra posição mais digna que a de Lefebvre, a qual se alinha em perfeita comunhão com o Papa, mas somente quando o Papa segue em união com seus predecessores e transmite o depósito da fé. Lefebvre também aceita as novidades intimamente conformes à tradição e à fé, mas não se sente vinculado pela obediência a novidades que vão de encontro à tradição e que ameacem à fé. No que toca ao Concílio, quando o perguntam se não é um concílio como os demais, responde: “Por sua ecumenicidade e sua convocatória, sim; por seu objeto, e isto é o essencial, não. Um concílio que não é dogmático pode não ser infalível; é apenas na medida em que repete verdades dogmáticas tradicionais”.

12 maio, 2020

A Catedral de Notre-Dame


Poucos templos atingem a perfeição da Catedral de Paris, devido ao equilíbrio de suas proporções e à harmonia de suas fachadas, onde se combinam suas formas horizontais e verticais. É o ponto culminante do estilo gótico, o mais belo edifício religioso da Capital da França (Guia Michelin de Paris, 2ª edição, 1993, p.113).

O templo atual foi precedido de outro gálico-romano, de basílica cristã e de igreja românica. Foi fundado pelo bispo Maurício de Sully, havendo a construção se iniciado em 1163, com a conclusão dos trabalhos por volta de 1300.

05 maio, 2020

A MÚSICA CELESTIAL


Para Santo Tomás de Aquino, a Corte Celestial é composta de nove círculos angelicais, agrupados em três coros, cada qual com três hierarquias. Segundo a importância de cada classe, referida na proximidade de Deus, o primeiro coro é formado por serafins, querubins e tronos. O segundo por dominações, virtudes e potestades. O terceiro por principados, arcanjos e anjos. O estabelecimento das hierarquias é necessário à ordem, senão haveria a multidão de anjos desgovernada (Suma Teológica, I, questão 108, artigos 5º e 6º).
                                                                 
Na Comédia, Paraíso,  canto XXVIII, Dante Alighieri reporta que Beatriz se refere às nove hierarquias   angélicas, que se movem em círculos concêntricos em torno de um ponto luminosíssimo que é Deus.  Dante ouve de Beatriz os motivos por que aqui tanto mais crescem o movimento e a luz quanto mais perto do Centro, o contrário dando-se em relação à Terra:
                                                                  
“De coro em coro celebrar se ouvia de Deus a  glória, que os conserva ardentes nesse lugar de amor e alegria.” (verso 93)
                                                                  
“mais profunda  é a satisfação quanto mais vêem na essência do Uno e do Trino. Daí se deduzir que da visão e não do amor, que dela é consequência, os anjos têm sua plena exultação.” (verso 106/110)
                                                                  
“São para o Centro as ordens arrastadas  e atraídas de baixo para cima, vencem e são em Deus glorificadas.” (verso 126)

 (Divina Comédia, tradução de João Trentino Ziller, Ateliê Editorial, pág. 484)
                                                            

03 maio, 2020

UM ESTRANHO VÍRUS

Na variação do texto anterior...

O vírus é eugênico: mata os fracos, os idosos, os que padecem de alguma incúria. Por consequência é capaz de elevar o estilo de vida fitness em um patamar padrão, as academias, os crossfits, as psicoses
da boa saúde. O vírus atinge mais os idosos o que significa que ele é seletivo, ataca os que tem experiência, mata a memória de uma família, de um povo.

O vírus pede o confinamento. A vida confinada desfavorece um estilo de vida católico que é da alegria e do encontro. 

27 abril, 2020

O VÍRUS E A AMBIÊNCIA ANTICIVILIZACIONAL




A crise causada pelo vírus chinês é anticivilizacional, fortaleceu a Nomenklatura burocrática e fragmentou a sociedade. Impôs a dualidade indivíduo e Estado e enfraqueceu os corpos intermediários. Conceitualmente, tem alma revolucionária, aliando-se a tudo o que de pior “as Revoluções” geraram no mundo ao longo dos séculos.

Uma prova do ataque aos corpos intermediários é que a crise do coronavirus gerou não acontecimentos à mesa de bares e de restaurantes. Na ambiência destes estabelecimentos vê-se a confraternização entre amigos, entre colegas de trabalho, entre família, etc., inexistindo a figura do Estado e do homem médio isolado. O bar é o oposto da crise do vírus chinês.

Por outro lado, a pandemia é compatível com o “delivery” e com o abominável “drive thru” de “fast food” e fez o apogeu deste último que é a vitória inconteste da má alimentação. Aliás, o vírus começou como fruto da má alimentação.

15 abril, 2020

A PANDEMIA E O BEM COMUM


O mundo assiste agoniado à pandemia causada pelo agora afamado “coronavírus” e medidas extremas, como a “quarentena” foram empregadas na maioria dos locais. Neste pequeno texto, pretendemos entender como está se dando a relação destas medidas com o bem comum e também com relação ao perigo do cientificismo.

Podemos definir o bem comum como o conjunto de condições externas adequadas a permitir o pleno desenvolvimento dos homens, das famílias e dos grupos sociais integrantes da sociedade. [1]

Bem comum não é a soma dos bens individuais, como se fundamenta falsamente o liberalismo e também o homem não se ordena à sociedade como uma parte em relação ao todo ( I-II, q.21, art. 4, 3) e é com base nesta falsa visão que se baseiam as doutrinas totalitárias (comunismo, nazismo etc.).[2]

Bem é tudo o que apetece à essência racional do homem e como é da natureza do homem viver em sociedade e o bem comum e o bem particular fazem parte de um mesmo gênero, o bem comum e o particular são participáveis entre si e não duelam.

13 abril, 2020

CORÔNICAS

Mercado de Afogados. Algum mês de 2020.

Um pai vai às compras com a filha de 4 anos. Ela parecia estar meio febril, mas o pai insiste com a mãe em fazer um passeio com a menina, já que tinha que comprar alguma coisa na feira.

A filha e o pai andam naqueles becos entrecortados por passantes. Sol inclemente. Um pequeno grupo se aglomera na seção de carne quando um aparelho aparece voando por sobre suas cabeças. Um artefato chamado drone emite um alerta e em um forte sotaque pernambucano orienta as pessoas a manterem o distanciamento social.

11 abril, 2020

O RESUMO DO CAOS


I – POR QUEM OS SINOS DOBRAM

A igreja em saída se fechou. As portas foram cerradas. Os sinos, até os sinos silenciaram. Falo também o que testemunho. Não sei se todos os sinos, em todas as paróquias, emudeceram, mas o da igreja das Graças, no bairro das Graças, no Recife, onde moro, não repica mais. Esse fato foi um dos que mais me chamou a atenção, tendo em vista o poder espiritual do sino, que hoje é negado pelo sacerdote daquela paróquia. Segue um trecho da bênção do sino:

Derramai, Senhor, sobre esta água a bênção celeste e fazei descer sobre ela a virtude do Espírito Santo, para que, tendo sido rociado com ela este vaso, destinado a convocar os filhos da Santa Igreja, dos lugares onde ressoar este sino, se afaste para longe a virtude das ciladas dos inimigos, a sombra dos fantasmas, a violência dos turbilhões, os golpes dos raios, os estragos das trovoadas, os desastres das tempestades e todos os espíritos das procelas[1]
Os sinos já não dobram mais, os filhos da Santa Igreja não são mais convocados, estão confinados; nada mais se espera dos céus, a não ser um novo decreto da autoridade pública, a dizer o que se deve ou não fazer, com o total beneplácito dos bispos. Detalhe, essa autoridade pública só não pode ser o atual presidente em exercício no país, que em um ato de insanidade completa declarou a religião como serviço essencial[2].

Ah, mas eu lembrava uma tal entrevista imaginária de Nelson Rodrigues com D. Hélder, aquele mesmo arcebispo vermelho que tem agora o seu processo de beatificação acelerado em Roma[3]. Talvez vocês entendam a posição da CNBB ao ler aquela entrevista.[4] Eles aprenderam tudo nessas teologias liberais e libertárias.

Nelson Rodrigues era assertivo: D. Hélder só olha para o céu para saber se leva ou não guarda-chuva. Hoje os padres só abrem as igrejas se não tiver coronavírus. E, pasmem, é um ato de caridade não ter missas. Se essa frase fosse dita em janeiro de 2020 seria uma insanidade; mas na data que ora escrevo é capaz de até tradicionalistas se emocionarem com esse mais novo truísmo.

08 abril, 2020

A PESTE



                         Desde que enganado pelo demônio, o homem  julga-se senhor do mundo, capaz de estabelecer o que é bom ou mau segundo o próprio arbítrio, dispensado o Criador (Gênesis, 3, 1 a 5).

                         A contestar o domínio do homem sobre o mundo, vez ou outra surgem pragas da natureza, a causar grande morticínio.

No Antigo Testamento, encontra-se a passagem das pragas rogadas sobre o antigo Egito (Êxodo, 7 a 11).

Na Idade Média, a Peste Negra ou Bubônica, causada por uma bactéria proveniente da pulga do rato negro, foi uma  epidemia que resultou na morte estimada de milhões de pessoas, da Ásia à Europa.

 Na Idade Contemporânea, a Gripe Espanhola foi uma pandemia causada pelo vírus influenza, ao final da Primeira Guerra Mundial, que também  terminou em um morticínio estimado em cinquenta milhões de pessoas.

03 abril, 2020

O "CISNE NEGRO" DE 2020?

NOTA DO TRADUTOR: Segue abaixo texto interessante escrito pelo professor Roberto de Mattei. Ressalvamos, por outro lado, que o articulista deve ser observado com cautela, uma vez que é filiado  à corrente de pensamento esposada por Plínio Correia de Oliveira, que já foi fartamente denunciada pelo professor Orlando Fedeli, principalmente no seu livro: A gnose burlesca dos Arautos do Evangelho. O texto abaixo, no entanto, faz uma singular interpretação dos fatos correntes provocado pelo "misterioso vírus".

Link do livro do prof. Orlando: http://www.montfort.org.br:84/bra/veritas/religiao/contra-pco/


O cisne negro (Cygnus atratus) é um pássaro raro, originário da Austrália, que tem esse nome devido à coloração de sua plumagem. Nassim Nicholas Taleb, um analista financeiro, ex-trader de Wall Street, no seu livro O cisne negro (The Black Swan: The Impact f the Highly Improbable, Random House, New York 2007), utilizou esta metáfora para explicar a existência de eventos inesperados e catastróficos que poderiam mudar a vida de todo mundo.

O coronavírus tem sido o cisne negro de 2020, escreve Marta Dassú, do Instituto Aspen, explicando que a epidemia está colocando em crise a atividade econômica das nações ocidentais e “demonstra a fragilidade das cadeias produtivas globais; quando um choque atinge um dos anéis, o impacto se torna sistêmico” (Aspenia, 88 (2020), p.9). “A segunda epidemia está a caminho – escreve Frederico Rampini no La Repubblica de 22 de março – e todos precisam enfrentar e curá-la. Ela se chama Grande Depressão e terá um balanço de vítimas paralelo ao do vírus. Na América ninguém mais usa o termo recessão porque é muito brando.

02 abril, 2020

OS BISPOS NOS ABANDONARAM!



Ídolo nos jardins do Vaticano.
Em todo o mundo a situação é muito grave.

A doença que está causando essa situação é também muito grave.


Mas a atitude da maior parte dos bispos na maior parte dos países afetados é simplesmente desprezível, repugnante, e merece todo nosso repúdio e desdém. Não contente em ter jogado os fiéis, durante décadas, aos cuidados de abusadores sexuais, agora,  no momento em que mais precisamos de verdadeiro cuidado, eles simplesmente nos abandonam.

A proibição de grandes aglomerações – incluindo missas públicas - é compreensível. Mas as demais medidas tomadas tem sido abusivas. Eles são a prova da completa negligência desses lobos travestidos de pastores, para com as almas do fiéis. Que dizer da atitude de muitos,  aparentemente muitos bispos que tem fechados as igrejas até para a simples oração individual do fiel diante do Santíssimo Sacramento? E, muito pior, que dizer da supressão das confissões em tempos de tão grande necessidade? E a supressão da extrema unção, a unção dos enfermos e santo viático, em tempos de tão grandes perigos?