20 fevereiro, 2017

O ultraje carnavalesco de 2017



“Dois amores erigiram duas cidades, Babilônia e Jerusalém: aquela é o amor de si até ao desprezo de Deus, esta, o amor de Deus até ao desprezo de si”.
Santo Agostinho, A Cidade de Deus.

Fig. Nossa Senhora da Salete.


Uma escola de samba de São Paulo, a Unidos de Vila Maria, “homenageará” Nossa Senhora Aparecida no desfile de carnaval de 2017.

O fato é escandaloso e merece reprovação, como veremos.

Escola de samba segundo o Wikipédia é:

é um tipo de agremiação de cunho popular que se caracteriza pelo canto e dança do samba, quase sempre com intuito competitivo. Sendo um tipo de associação originária da cidade do Rio de Janeiro, as escolas de samba se apresentam em espetáculos públicos, em forma de cortejo, onde representam um enredo, ao som de um samba-enredo, acompanhado por uma bateria; seus componentes — que podem ser algumas centenas ou até milhares — usam fantasias alusivas ao tema proposto, sendo que a maioria destes desfila a pé e uma minoria desfila sobre "carros", onde também são colocadas esculturas de papel machê, além de outros adereços.

O desfile se consuma pela sucessão de várias destas escolas de samba e dura várias horas.

As escolas são avaliadas por vários quesitos: bateria, harmonia (sic), conjunto, fantasias, evolução etc. A que obtiver maior pontuação, dada por um corpo de jurados, será declarada campeã[1].

Os desfiles olhados globalmente são caracterizados pela exposição gratuita de luxo, de temas inconsistentes, de pornografia, de mau gosto, de fantasias excessivamente rebuscadas e chamativas, de desperdício de dinheiro e de tempo (quase tudo é jogado fora depois do evento[2]) e de autoglorificação.



Há um claro ambiente de “massa”, na qual a multidão se move ao sabor de paixões especialmente dirigidas pela ocasião, sem saber pensar por si mesma.

Individualmente, muitos passistas costumam dançar imoralmente com pouca ou quase nenhuma roupa. Toda licenciosidade é permitida, em especial, a luxúria triunfa, e a moral vem a baixo. A plateia também participa dos abusos desde a arquibancada, como pode. 

Muitas transgressões contra os Mandamentos são cometidas nos carnavais e o ambiente é de ocasião próxima de pecado, como alerta Santo Afonso Maria de Ligório:  "expor-se a uma ocasião próxima de pecado mortal, que se poderia evitar, já é pecado mortal de imprudência".

Aliás, já dizia São Francisco de Sales: Dos bailes, os melhores não prestam...

Trata-se de uma festa nitidamente neopagã, assemelhada às de Roma Antiga, como as saturnálias, nas quais havia toda imoralidade possível e se usavam máscaras também.

Os elementos pagãos da festa carnavalesca brasileira, nos desfiles, podem ser estes:
a) Fantasias e máscaras que, historicamente, eram usadas pelas pessoas para se esconderem, para demonstrar igualitarismo, para propiciar cambio de personalidade e até mesmo para “incorporação de espíritos”;

b) Licenciosidades, especialmente sexuais, quase como um ritual tântrico;

c) Alusões a “divindades” clássicas e africanas (muito candomblé), ou seja, a demônios, muito comuns nos enredos, nas alegorias etc;

d) Músicas excessivamente ritmadas (ou seja, horríveis), em detrimento da melodia, próprias de ambientes pagãos, voltadas para êxtases e fomento de paixões, além de serem tocadas excessivamente altas. O “barulho não faz bem e o bem não faz barulho”, já ensinava, mais uma vez, São Francisco de Sales;

e) Danças imorais;

f) Irracionalidade ou superficialidade dos temas, das letras musicais, dos sons, das alegorias etc; Alguns temas do carnaval: império dos Mistérios; Manhas, Manias e Mandingas [3] ; Omi - O Berço da Civilização Iorubá; Ayô - A Alma Ancestral do Samba etc.

g) Vaidade e autoexaltação.

h) Materialismo, pois a curta, a rasa e a falsa alegria provocada pelo carnaval é produzida por meio de elementos sensitivos e não intelectuais, como a música de baixo nível, a sensualidade, o ambiente de massas etc;

i) Despreocupação com a finalidade e a verdade, o que vale é o prazer desmedido do aqui e agora. Não se almeja valores elevados, tampouco se medita sobre a razão de ser do lamentável evento.

No dia 24 de fevereiro de 2017, uma sexta-feira que será funesta, a escola Vila Maria desfilará; a escola precedente, entre outras considerações, fará apologia de “deuses romanos”[4] que nada mais são que demônios pagãos. E a escola seguinte da Vila Maria, irá exaltar “deuses africanos”[5], que são, mais uma vez, demônios.

Tudo isto é bem conhecido, não precisamos avançar mais para provar que se cuida de uma festa babilônica.

E o que uma imagem de Nossa Senhora tem a ver com o carnaval? Nada, absolutamente nada, na realidade, é o oposto desta festa, tão claro quanto sem dúvida.

Lembramos que a veneração de imagens não se dirige a elas, mas sim àquela que está no céu, no caso, a Mãe de Deus, Maria Imaculada.

Portanto, houve protestos unânimes das autoridades eclesiásticas?

Não!!! Muitas aprovaram...

As autoridades, conforme foi divulgado pela mídia, apresentaram as seguintes condições para a festa ser aprovada:

1. Respeito à imagem de Nossa Senhora Aparecida, à fé e à religiosidade do povo católico; 2. Fidelidade aos fatos históricos; 3. Apresentação da genuína piedade mariana católica, sem sincretismos; 4. Decoro no desfile da escola, sem exposição de nudez; 5. Supervisão dos preparativos pelo Santuário de Aparecida e pela Arquidiocese de São Paulo.

Seguimos com as refutações:

Em relação ao item 1. Há algum respeito à imagem numa festa totalmente babilônica, ainda que a “Vila Maria” fizesse tudo em ordem? Não porque o desfile é um todo, no qual, as escolas são partes. Como as escolas que precedem e as que sucedem a de “Vila Maria” tocarão adiante os abusos, a imagem de Aparecida restará imersa na imundície.

Em relação ao item 3. Completamente absurdo. A verdadeira piedade mariana é feita de oração e terço, meditação, mortificação e da consagração à Nossa Senhora, segundo São Luis. A plateia se ajoelhará e entoará a Salve Regina? O terço será rezado?

Em relação ao item 2 e 4. Pode haver decoro nominal nas roupas, mas como serão as danças? Indecorosas como sempre? E o que dizer de fantasias como esta abaixo:


Educação pela Fé.

Esta fantasia ao lado circulará na “ala arlecchino”, seu nome: “educação pela fé”[6]

Arlecchino, historicamente, é personagem de diversão, associado a malandro brincalhão, ao “bobo-da-corte” e tem como par a “Colombina”. O que este personagem e a própria roupa acima tem a ver com “educação pela fé”? É para deboche? Para ridicularizar? É fiel aos “fatos históricos”?

Em relação ao item 5. A supervisão parece não ter adiantado muito, já que foi amplamente divulgado pela mídia que a “musa”(sic) da escola de samba (que detém um título impublicável) vestiu uma fantasia imodesta representando a Nossa Senhora (não colocaremos o link, porque de per si já é imoral).

Não se pode alegar que por ser uma “festa cultural” tudo seria possível, pois isto não pode ser senha para abusos. Interessante que se combate os “rodeios”, mas aí não vale o argumento “cultural”...

O acontecimento ganha especial gravidade porque atenta contra os acontecimentos de Fátima, como se fizessem de propósito para desafiar as aparições:

 Eminentíssimo Senhor Cardeal, Nosso Senhor está descontente e amargurado com os pecados do mundo e com os de Portugal, queixando-se da falta de correspondência, vida pecaminosa do povo e em especial da tibieza, indiferença e vida demasiado cômoda que levam a maioria dos sacerdotes, religiosos e religiosas; é limitadíssimo o número das almas com quem se encontra na oração e no sacrifício. Em reparação e súplica por si e pelas outras nações,Nosso Senhor deseja que em Portugal sejam abolidas as festas profanas nos dias de carnaval e substituídas por orações e sacrifícios com preces públicas pelas ruas. Rogo pois a Vossa Eminência se digne em união com todos os Excelentíssimos Senhores Bispos promovê-las, não esquecendo que Nosso Senhor, ao prometer uma proteção especial à nossa Nação, a declarou também culpada e lhe anunciou algo que sofrer também. Esse algo consistirá em conseqüências de guerras estrangeiras mais ou menos graves segundo a nossa correspondência aos desejos de Nosso Senhor. Nosso Senhor deseja que atraiamos assim a paz não só sobre Portugal mas sobre as demais nações” (Apud Padre Antônio Maria Martins, S. J., Novos Documentos de Fátima, ed. Loyola, São Paulo, sem data, p. 251).[7]

O texto se refere ao carnaval de 1940!!! O que se diria de hoje? O carnaval, longe de ter sido substituído, piorou muito no mundo inteiro e no Brasil talvez seja o pior deles.
Nossa Senhora também disse:

Minha filha, o motivo é simples: são 5 as espécies de ofensas e blasfêmias contra o Imaculado Coração de Maria:

1 – As blasfêmias contra a Imaculada Conceição.

2 – Contra a Sua virgindade.

3 – Contra a Maternidade Divina, recusando, ao mesmo tempo, recebê-La como Mãe dos homens;

4 – Os que procuram publicamente infundir, nos corações das crianças, a indiferença, o desprezo, e até o ódio para com esta Imaculada Mãe;

5 – Os que A ultrajam diretamente nas suas sagradas Imagens.

Eis, Minha filha, o motivo pelo qual o Imaculado Coração de Maria Me levou a pedir esta pequena reparação; e, em atenção a ela, mover a minha misericórdia ao perdão para com essas almas que tiveram a desgraça de A ofender.[8]

Diante do exposto e com base no item 5 acima, o evento do dia 24 será uma blasfêmia contra o Imaculado Coração de Maria.

Babilônia desfilando em pleno gozo e fruição em detrimento de Deus e de Sua Mãe.
Resumo da ignomínia:

a) A Imagem de Nossa Senhora deitada na imundície;

b) Mistura do profano e do sagrado;

c) Blasfêmia;

d) Desatenção ao que foi solicitado em Fátima;

e) Endosso vergonhoso das autoridades eclesiásticas;

f) Imagem participando de uma competição de baixo nível, por acaso a Imagem de Aparecida tem de ser votada?;

g) Sugestão para a plateia de que não se precisa ter respeito por imagens sacras;
 h) Deseducação, não é assim que faz a devoção mariana;

i) Imagem misturada com ídolos pagãos, gerando sincretismo.

Que Nossa Senhora de Fátima e de Aparecida tenha piedade de nós.

Marcelo Andrade, de São Paulo para Recife.
Fevereiro de 2017


[1] Muito comuns nas apurações de votos haver choros, gritos, xingamentos e até brigas.
[2] Curioso notar que nestas horas não se fala em “preocupação com ecologia”.
[3] Este foi um enredo da Vila Maria há alguns anos.
[4] http://www.mocidadealegre.com.br/sinopse-enredo-carnaval-2017/
[5] http://www.academicosdotatuape.com.br/samba-enredo.html
[6] http://www.unidosdevilamaria.com.br/2015/sinopse-do-enredo/fantasias
[7] http://www.montfort.org.br/bra/cadernos/religiao/fatima3/
[8] http://blog.cancaonova.com/tododemaria/as-cinco-ofensas-contra-o-imaculado-coracao/