09 fevereiro, 2021

SOFISTAS ANTIGOS E MODERNOS

 

                                                                                                                 Paulo Eduardo Razuk

I

Filosofia significa amor à sabedoria. Filósofo é aquele que se consagra a adquirir a inteligibilidade do real. É consenso que a filosofia ocidental nasceu na antiga Grécia, com as especulações dos pré-socráticos. Com efeito, a partir dos gregos data a crença racional na ordem e na busca metódica da sabedoria e da verdade, onde reside a essência   da filosofia.

O filósofo (1660)
Luca Giordano

A filosofia abrange um grupo de disciplinas às quais cabe a formulação sistemática do trabalho especulativo. Tais disciplinas são: a) a gnoseologia, que trata do problema do conhecimento da verdade; b) a lógica, que investiga as estruturas formais dos sistemas de pensamento; c) a epistemologia, que perquire a estrutura, o fundamento e os métodos dos sistemas científicos; d) a semiótica, que estuda a linguagem, isto é, o significado da comunicação.

A história da filosofia ocidental fornece uma visão retrospectiva da evolução intelectual, desde o século VI  a.C.  até o presente.

Portanto, o saber filosófico demanda  estudo dedicado e demorado, não podendo ser adquirido de maneira rápida e superficial.

30 novembro, 2020

SE O ROCK É SATÂNICO?


                                                                                                  Paulo Eduardo Razuk

                                                                                    I

 

Deus Criador estabelece a ordem ontológica das coisas. Assim, a boa música deve ser um espelho de Deus, reproduzindo a ordem ontológica por Ele estabelecida.

 A beleza material é objetiva, porque depende das proporções e das medidas, isto é, dos números. Pitágoras teria descoberto a relação entre os números, beleza e música. Os sons agradáveis ao ouvido correspondem a números proporcionados, causa da beleza musical.

A proporção causa a beleza sonora. Algo é belo, na medida em que harmonize a unidade e a variedade, a estabilidade e o movimento, o par e o ímpar, o grave e o agudo, etc. A beleza de um ser provém das relações proporcionadas de suas partes. Tudo deve ser belo, harmonioso e musical.

 Música, harmonia e beleza são resultantes do número, do peso e da medida, quer na sonoridade, quer na plasticidade. O homem deve procurar as razões da beleza, a fim de que chegue ao Criador, Beleza Infinita.

 A ordem exige diversificação de elementos constituintes. Deus faz tudo com desigualdade, para poder fazer tudo com uma ordem que reflita sua Sabedoria Infinita. Tal ordem, proporção de toda criação, essa harmonia que deve haver em todas as criaturas, constitui a música do universo, uma sinfonia maravilhosa.

24 outubro, 2020

Ela, a informação

Catende, a cara província. Era mais um dia de domingo e lá ia eu andando, por volta das seis da manhã, em demanda da missa matinal. Era uma missa mais tranquila, menos barulhenta, mais introspectiva do que aquelas do horário do fim da tarde. Havia alguma ligação entre a paz da manhã e a tranquilidade da liturgia. Ao lado, no jardim do templo, era até possível ouvir aqui e ali o silvo adocicado de um pássaro.  
Minha mãe estava sempre lá, no coral de Santa Ana. De quando em vez subia ao altar e lia a epístola. 
Eu acompanhava tudo de longe. Nada na algibeira, nem mesmo um terço eu carregava. Ao fim da missa, nós descíamos a ladeira e ao dobrar a rua à direita chegávamos em casa. Era ainda cedo e a cidade dormia. 

No terraço da casa, jogado ao canto, envolto em uma bolsa plástica, jazia o Diário de Pernambuco. Calmo, taciturno e antigo. Parecia não representar perigo algum. Estava no canto dele e só era perturbado se nós o provocássemos. 

14 outubro, 2020

O Largo da Sé: da capela colonial à catedral eclética

                             
                                                                                   

Igreja da Sé e seu estilo eclético
                  O primeiro sítio da igreja matriz de S. Paulo situava-se mais abaixo que o atual, onde hoje fica o monumento a Anchieta. A primeira matriz começou a ser erguida em 1589, tendo sido concluída em 1616. Era uma modesta capela em estilo colonial.

                 Com a criação da diocese em 1745, o primeiro templo foi demolido e substituído por um novo em estilo barroco, terminado em 1769. Seria demolido em 1911. A seu lado ficava a igreja de S. Pedro, também demolida, no lugar onde hoje está o prédio da Caixa Econômica Federal.

                  O templo atual começou a ser erguido em 1913, tendo sido inaugurado em 1954, por ocasião do quarto centenário da cidade. Todavia, as torres somente foram finalizadas em 1969. O projeto, de caráter eclético, é do arquiteto alemão Maximilian Emil Hehl, também responsável pela igreja da Consolação e pela catedral de Santos.